Resumo
O Fascismo é uma ideologia política de extrema-direita, totalitária e ultranacionalista, originária da Itália. Exalta a nação (e frequentemente a raça) como uma comunidade orgânica que transcende o indivíduo, exigindo mobilização permanente das massas e fanatismo revolucionário.
Promove o militarismo, a violência purificadora e o culto absoluto ao líder. Diferente do nacional-autoritarismo conservador de Franco ou Salazar, o Fascismo busca construir o 'Novo Homem' através da fusão total entre Estado, corporações e sociedade.
Contexto Histórico
O Fascismo como ideologia política organizada nasceu na Itália com Benito Mussolini (1883–1945), ex-socialista que fundou os Fasci Italiani di Combattimento em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, num contexto de crise econômica e temor de uma revolução comunista. Mussolini chegou ao poder em 1922 com a 'Marcha sobre Roma', quando o Rei Vitor Emanuel III o convidou a formar governo. O Fascismo italiano era menos ideologicamente consistente e menos racista que o Nazismo alemão — Mussolini só adotou leis antijudaicas em 1938, sob pressão de Hitler. No Brasil, o Integralismo de Plínio Salgado foi a expressão do fascismo adaptado à realidade latino-americana. A derrota na Segunda Guerra Mundial deslegitimou o fascismo histórico, mas neofascismos emergem ciclicamente em períodos de crise social e desconfiança institucional.
Princípios Fundamentais
O Fascismo é o único movimento político que afirma a negação das ideologias como sua própria ideologia. Mussolini escreveu que 'a ação é nossa fonte de doutrina'. Seus elementos fundamentais são: ultranacionalismo e exaltação da nação como organismo vivo; corporativismo econômico (fusão Estado-capital-trabalho); culto à ação e à violência; culto ao líder carismático; mobilização permanente das massas; e rejeição total do individualismo iluminista em favor do coletivismo nacional. O fascismo auto-identifica-se como uma 'Terceira Via' entre o capitalismo liberal e o socialismo de classes.
Curiosidade
"A palavra 'fascismo' vem do italiano 'fascio', que significa 'feixe' ou 'atado de gravetos' — simbolizando a força pela união. Umberto Eco publicou em 1995 o ensaio 'O Fascismo Eterno' (Ur-Fascism), listando 14 características do fascismo que, segundo ele, jamais desaparecem completamente da cultura política — tornando-se um dos textos mais citados em debates sobre autoritarismo contemporâneo."