Resumo
O Neoconservadorismo é uma vertente política que combina o conservadorismo social e econômico com uma política externa altamente intervencionista e assertiva. Surgida de intelectuais ex-esquerdistas americanos desiludidos, defende que os Estados Unidos e as potências democráticas têm o dever moral de usar sua força militar para ativamente derrubar tiranias e 'plantar a semente' da democracia em regiões estratégicas.
Valorizam a virtude cívica, o patriotismo incondicional e a crença de que a liberdade não se mantém apenas por processos de mercado, mas exige uma autoridade moral forte e, se necessário, o uso preventivo da força para garantir a 'paz pela musculatura'. Internamente, criticam o relativismo moral e buscam fortalecer as instituições tradicionais da vida ocidental.
Contexto Histórico
O Neoconservadorismo surgiu nos EUA dos anos 1960-70 com intelectuais que começaram como socialistas ou democratas e migraram para a direita diante do que viam como o fracasso da Grande Sociedade de Johnson e da ingenuidade da esquerda anti-guerra em relação ao comunismo soviético. Irving Kristol (1920–2009), chamado de 'padrinho do neoconservadorismo', definiu o neoconservador como 'um liberal atacado pela realidade'. A hegemonia neocon atingiu seu auge com a administração de George W. Bush (2001–2009), que usou os ataques de 11 de setembro como justificativa para invadir o Iraque (2003) — uma guerra que criou o vazio de poder que deu origem ao Estado Islâmico.
Princípios Fundamentais
O Neoconservadorismo distingue-se do conservadorismo tradicional por sua política externa intervencionista e messiânica: os EUA têm não apenas o direito, mas o dever moral de usar sua superpotência para promover a democracia liberal globalmente, inclusive pela força militar preventiva. Internamente, defende a virtude cívica, o patriotismo, a família tradicional e a autoridade moral em detrimento do relativismo cultural da esquerda. Aceita o Estado de Bem-Estar Social herdado do New Deal, mas com reformas de eficiência.
Curiosidade
"Francis Fukuyama, que havia publicado 'O Fim da História e o Último Homem' (1992), prevendo a vitória definitiva da democracia liberal, foi um dos neoconservadores que publicamente se arrependeu do apoio à invasão do Iraque, publicando 'America at the Crossroads' (2006) criticando o messianismo militarista — expondo as contradições internas do neoconservadorismo entre sua aspiração universal e sua lógica imperial."